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O espírito cool de Chamonix (PT)

Olá, meus queridos viajantes,

Ano passado tive a oportunidade de conhecer a cidade de Chamonix Mont-Blanc, na região dos Alpes franceses, um pouco antes das festas de fim de ano. Como boa brasileira que sou, não aprendi a esquiar na infância como os europeus,  mas felizmente descobri a marcha nórdica que me não me deixou ficar com cara de loser nas montanhas. Mas, ainda assim, o local é um destino low budget e, melhor, sem a ostentação típica de outras estações, ideal pra todo tipo de turista. Vale super a pena a visita!

A cidade, no departamento da Alta Savóia, fica a seis horas de Paris e é próxima da fronteira com a Itália e a Suíça. Pequenininha, é um charme nessa época do ano (apesar de a neve ter chegado por lá duas semanas depois da minha partida e de a cidade também funcionar muito bem no verão, com temperaturas de 30 graus e várias atividades como a escalada, por exemplo), com seu mercado de Natal no centrinho, suas lojas típicas, a gastronomia local (raclettes, tartiflettes, fondue, embutidos, enfim, uma boa comida para se aquecer no frio!), e, claro, o Mont Blanc, essa instituição europeia – o maior pico da parte ocidental do continente -, com seus 4 810,45 metros.

A começar pelo formato da cidade, um vale rodeado pelos maciços Aiguilles Rouges e Mont-Blanc, um longo « corredor » de 17 km de comprimento (me lembrou o Rio!) e 24 mil hectares de superfície. Só no centrinho a altitude é de 1035m, podendo chegar a 1462m em partes mais altas do vale. Imaginem então para quem sobe de teleférico no monte Aiguille du Midi (Tarifa: 60€ por adulto), com vibrantes 3842m de altitude? Só para os fortes! A subida é rápida demais (20 minutos) e se você não se locomover lentamente lá em cima, pode sofrer com mal estares e vômitos. Mas a vista do « Step into the Void » (uma cabine que te coloca de costas para a Aiguille du Midi e te dá a sensação de pisar no vazio) é sensacional, assim como o túnel de 32m (Le Tube) criado para ligar as montanhas. Infelizmente no dia em que fui ao Step, a quantidade imensa de nevasca impediu uma visão límpida do monte, mas a sensação de geting lost é a mesma.

Mas, pera aí, Chamonix é sobretudo para quem sabe e quer esquiar!  Basicamente é isso – as pistas se dividem em Verdes: Planards, La Vormaine e  La Savoy, ideais para iniciantes e crianças; Azuis: Les Houches e Brévent/Flégeres, para os intermediários; algumas vermelhas e poucas pretas. Les Grands Montets é para os esquiadores tartaruga-ninja. Veja mais aqui.

Atividades imperdíveis:

Trem – Aconselho o passeio de trem que sai de Chamonix até Montenvers, à 1913 m de altitude (aconselho mesmo sem tê-lo feito, pode, produção? Ele estava em manutenção quando estive lá, mas ouvi maravilhas desse trajeto!). De lá dá para se avistar o famoso glacier Mer de Glace, Drus e Grandes Jorasses. Tarifas : 31,50€ por adulto.

Marcha nórdica – Testei e amei! Não pense que o negócio aqui é uma simples caminhada, pois não é! A marcha é praticada com o bastão de esqui e você deve andar e impulsionar os braços com a barra, fazendo um movimento de propulsão que deixa os braços doloridos e musculosos no final do dia (seu bye, bye nunca mais será o mesmo). Praticamos a marcha no Desert Blanc, próximo ao centro da cidade e propício para a atividade. Aconselho o acompanhamento de um guia de altas montanhas, essencial nessa hora.

Teleférico da Aiguille du Midi – Já expliquei acima, e repito, se jogue!

Cosmojazz – No verão rola um festival de jazz bacanudo, nas montanhas, com um visual incrível.

Onde comer:

La Calèche  – Situado no centrinho, é um restau típico da cozinha da Savoia, com delícias locais bem calóricas e que devem ser provadas a todo custo! Destaque para a Tartiflette au Reblochon fermier de Savoie et lard fumé, salade verte, une tuerie!

Le Matafan – (Mata-fome em antigo provençal) – Local sofisticado e com boa comida no tradicional hotel cinco estrelas Mont-Blanc, ao lado do Oficio do Turismo da cidade. O restaurante, que possuía uma estrela no Michelin, a perdeu e não fez questão de tê-la novamente, e « preferiu se dedicar  à utilização de bons produtos e ao cliente », segundo a assessora do Oficio do Turismo de Chamonix. O chef Mickey Bourdillat aposta em produtos da estação, frescos, e normalmente acerta em cheio.

Onde ficar:

Le Refuge des Aiglons – Um quatro estrelas charmoso com um bom restaurante, o « A« . Não tem nada de luxuoso nem de hotel butique, mas é correto e limpo e cumpre bem sua função de chalé de esqui (por outro lado, se você não pedir seus amenities na recepção, não vai tê-los. Mas o staff é super simpático e generoso, e te darão dez amenities de uma vez se você pedir). A piscina aquecida é externa (ponto para eles!) e possui spa (não testei). O restaurante é aconchegante e oferece uma bela vista das montanhas. Eu pedi o Menu enfant com o Hambúrguer e fritas, que cumpriu muito bem seu dever de hambúrguer. Yummy!

Como ir:

De avião – Partindo de Paris? Pegue um voo até Genebra, com um trajeto que dura 45 minutos. Do aeroporto até o município de Chamonix (cerca de uma hora), pode-se ir de ônibus, trem, carro ou transfer.

De trem – Consulte aqui os itinerários e horários do TGV saindo de Paris Gare de Lyon até St Gervais-les-bains-le Fayet, a 20km de Chamonix, com um trajeto de cinco horas de viagem. Ou o trem Mont Blanc Express, que vai de St Gervais-les-bains-le Fayet até Martigny (Suíça) passando por Servoz, Les Houches, Chamonix, Argentière e Vallorcine.

De carro – Faz o tipo aventureiro? Pegue a estrada A40 na França e se delicie com a paisagem de tirar o fôlego das montanhas.

Dica de ouro:

When in Chamonix, peça a carte d’hôte na recepção do hotel, ela te dá gratuidade nos transportes coletivos da cidade! Pas mal, hein?